Sunday, July 23, 2006



Passei a semana embriagada no mais encantador casal da história, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre.
A escritora responsável é a biógrafa Hazel Rowley, que além de ser PhD em existencialismo, e especialista em estudos sobre a Beauvoir, realizou uma entrevista com a própria.
O livro "Tête-a-Tête" é construido com base em suas biografias, livros, correspondências entre si e entre seus respectivos amantes e amigos, entrevistas cedidas e diversos artigos. Conta que não foi uma tarefa fácil, embora agradeça muito à detentora dos escritos de Beauvoir, Sylvie Le Bon, que a deixou examinar seu arquivo pessoal com muita boa vontade, declara que atualmente, quase toda correspondência de Sartre está em posse de sua executora literária, Arlette Elkaim, que além de não abrir de seu arquivo, também detém os diretos autorais dos escritos inéditos dele.

A história começa em 1929, ano em que o casal se conheceu e percorre suas vidas com detalhes pessoais, como a ambição do jovem Sartre em se tornar um homem famoso, sendo tão comentado como Goethe, e a de Beauvoir em cativar e emocionar seus leitores como fez sua admirável Katherine Mansfield.
A narrativa é muito rica e percorre tanto o esforço deles para o ingresso na Agregation da Ecole Normale, suas paixões excessivas pela escrita, suas idas constantes aos cafés de Paris, a filosofia e prática do existencialismo de Sartre em suas vidas, suas inúmeras viagens, a vida política de Sartre, sua recusa ao Prêmio Nobel, o feminismo de Simone (que é minha única queixa ao livro pois não foi muito enfatizado), seus tão negados casos com mulheres, e claro, o famoso relacionamento amoroso e aberto dos dois que faziam questão de se orgulharem, embora, como nos mostra a autora, não tenha sido tão tranqüilo como aparentava ser, e que nem sempre foi fácil para Simone aturar o amor de Sartre por suas amantes, deixando-a deprimida, com ciúmes e insegurança, além de causar diversas tensões nos seus círculos de amigos. Certa vez, Beauvoir declarou sobre os envolvimentos de Jean-Paul, “Em quase todas as viagens que fizemos ou você fez, houve uma mulher que acabava sendo a encarnação do país para você”.
A autora dá uma ligeira visibilidade a mais à Simone e deixa claro que ao contrário do que muitos diziam, ela não se transformou de filha burguesa francesa em livre pensadora por mérito exclusivo de Sartre, segundo Rowley, "Ela já tinha feito suas escolhas pessoais e intelectuais, Sartre foi apenas um estímulo".
Sem dúvidas a relação dos dois é tão linda quanto intrigante, a vida toda Sartre tratou Simone por "vous" e seus amigos e amantes por "tu", tanto formalismo entre eles, no tratamento, em muitas de suas cartas, e na falta de oficializaçâo do casamento, que chega a ser irônico 51 anos de vida conjunta.

Sendo fã incondicional de Beauvoir, muita coisa dela eu já sabia, mas confesso que este livro me deixou mais apaixonada ainda, tanto por ele quanto por ela.
Podemos rir dos comentários irônicos de Sartre, se derreter com confidências de amor por eles trocada, sentir prazer com as detalhadas descrições de suas noites sexuais, ficar roxa de ciúmes com as cartas apaixonadas pra seus amantes, emocionar-se com o imenso carinho que um sentia pelo outro, sentir o cheiro de café em suas longas noites de trabalhos, irritar-se com a imprudência de Sartre em relação a sua saúde, chorar como se fosse amiga íntima do casal com a morte do filósofo e o relato de seu funeral e, principalmente se surpreender com diversas confissões e revelações inéditas presentes, que para alguns pode representar uma falsa prática da fislosofia Sartreana e o fracasso de suas relações, mas assim como a autora, eu não julgo suas vidas como sucesso ou fracasso, e sim como experiência de uma história de relação e de vida tão apaixonada e duradoura. E dela podemos tirar muitos exemplos de paixões por diversas coisas, principalmente pela construção singular de duas vidas extremamente brilhantes.




Tête-A-Tête
Autora: Hazel Rowley
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Objetiva. 462 págs

4 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Parabens pequena castor o texto ficou do caralho e me deu vontade de ler

23/7/06 02:57  
Blogger ricardo said...

oraora.

converse com o jota. ele ama essa molher.

eu gosto, mas não conheço o suficiente.

enfim. escreve bem, minha menina. hehehehe
;*

23/7/06 08:09  
Blogger Bia Cherry said...

Ahahahaha pequena Castor. bem que eu poderia ser....

23/7/06 20:14  
Anonymous Anonymous said...

vc jah eh uma minima castorentina de cerebro invejavel ,ideias brilhantes... coisa q mta gente por ai nao tem e finge ter... se acha escritor e CULTO!
mimimimimimimimimi!!!!!!!!!!!!!!!
nhac nhac!

10/8/06 22:49  

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