Saturday, July 29, 2006






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Estou bem cansada e acabo de completar 36 horinhas acordada, então não vou me extender hoje não, ando numa correria que nem o tempo dá mais conta.

Acabei de voltar do show do Wandula (foto) na FunHouse, ainda não entendi porque justo lá, de sexta e porque não foi divulgado, nem no site, nem flyer, nem em lugar algum.
Quem conhece tem bom gosto, quem não conhece vá no site!!! Pelo menos fará algo que o "maravilhoso" povo rocker não fez hoje, fica claro como são medíocres, não conhecem coisa boa e nem estão dispostos a conhecer, ao menos que seja parecido com Franz Ferdinand.
O que é uma pena, tanto pra banda, quanto pra eles e principalmente pra quem foi apenas ver o show, que foi curto e de certa forma mal recebido, isso acaba com a empolgação de qualquer banda ou fã. "Toca rock, porra!" ridículo isso, muito broxante mesmo.
Mas de qualquer forma, gostei bastante do que ví, a voz da Edith ao vivo é tão gostosa quanto no cd, e eles tocam muito bem. Fiquei encantada, estava esperando vê-los há um bom tempo já. Tocaram tanta coisa gostosa, "Sad Days", que eu gosto bastante e a versão de "Por que te vas" . Só senti falta de "L'homme aux tachês de Rousseur" e "Love Tears", até me atrevi a perguntar se iriam tocar. é o sono, é o sono....

http://www.wandula.com/

Sunday, July 23, 2006



Passei a semana embriagada no mais encantador casal da história, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre.
A escritora responsável é a biógrafa Hazel Rowley, que além de ser PhD em existencialismo, e especialista em estudos sobre a Beauvoir, realizou uma entrevista com a própria.
O livro "Tête-a-Tête" é construido com base em suas biografias, livros, correspondências entre si e entre seus respectivos amantes e amigos, entrevistas cedidas e diversos artigos. Conta que não foi uma tarefa fácil, embora agradeça muito à detentora dos escritos de Beauvoir, Sylvie Le Bon, que a deixou examinar seu arquivo pessoal com muita boa vontade, declara que atualmente, quase toda correspondência de Sartre está em posse de sua executora literária, Arlette Elkaim, que além de não abrir de seu arquivo, também detém os diretos autorais dos escritos inéditos dele.

A história começa em 1929, ano em que o casal se conheceu e percorre suas vidas com detalhes pessoais, como a ambição do jovem Sartre em se tornar um homem famoso, sendo tão comentado como Goethe, e a de Beauvoir em cativar e emocionar seus leitores como fez sua admirável Katherine Mansfield.
A narrativa é muito rica e percorre tanto o esforço deles para o ingresso na Agregation da Ecole Normale, suas paixões excessivas pela escrita, suas idas constantes aos cafés de Paris, a filosofia e prática do existencialismo de Sartre em suas vidas, suas inúmeras viagens, a vida política de Sartre, sua recusa ao Prêmio Nobel, o feminismo de Simone (que é minha única queixa ao livro pois não foi muito enfatizado), seus tão negados casos com mulheres, e claro, o famoso relacionamento amoroso e aberto dos dois que faziam questão de se orgulharem, embora, como nos mostra a autora, não tenha sido tão tranqüilo como aparentava ser, e que nem sempre foi fácil para Simone aturar o amor de Sartre por suas amantes, deixando-a deprimida, com ciúmes e insegurança, além de causar diversas tensões nos seus círculos de amigos. Certa vez, Beauvoir declarou sobre os envolvimentos de Jean-Paul, “Em quase todas as viagens que fizemos ou você fez, houve uma mulher que acabava sendo a encarnação do país para você”.
A autora dá uma ligeira visibilidade a mais à Simone e deixa claro que ao contrário do que muitos diziam, ela não se transformou de filha burguesa francesa em livre pensadora por mérito exclusivo de Sartre, segundo Rowley, "Ela já tinha feito suas escolhas pessoais e intelectuais, Sartre foi apenas um estímulo".
Sem dúvidas a relação dos dois é tão linda quanto intrigante, a vida toda Sartre tratou Simone por "vous" e seus amigos e amantes por "tu", tanto formalismo entre eles, no tratamento, em muitas de suas cartas, e na falta de oficializaçâo do casamento, que chega a ser irônico 51 anos de vida conjunta.

Sendo fã incondicional de Beauvoir, muita coisa dela eu já sabia, mas confesso que este livro me deixou mais apaixonada ainda, tanto por ele quanto por ela.
Podemos rir dos comentários irônicos de Sartre, se derreter com confidências de amor por eles trocada, sentir prazer com as detalhadas descrições de suas noites sexuais, ficar roxa de ciúmes com as cartas apaixonadas pra seus amantes, emocionar-se com o imenso carinho que um sentia pelo outro, sentir o cheiro de café em suas longas noites de trabalhos, irritar-se com a imprudência de Sartre em relação a sua saúde, chorar como se fosse amiga íntima do casal com a morte do filósofo e o relato de seu funeral e, principalmente se surpreender com diversas confissões e revelações inéditas presentes, que para alguns pode representar uma falsa prática da fislosofia Sartreana e o fracasso de suas relações, mas assim como a autora, eu não julgo suas vidas como sucesso ou fracasso, e sim como experiência de uma história de relação e de vida tão apaixonada e duradoura. E dela podemos tirar muitos exemplos de paixões por diversas coisas, principalmente pela construção singular de duas vidas extremamente brilhantes.




Tête-A-Tête
Autora: Hazel Rowley
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Objetiva. 462 págs

Wednesday, July 19, 2006


http://www.axialvirtual.com/AXIAL_tamanquero1.mp3 clique aqui antes de comecar a ler
"TAMANQUERO"
(domínio público, coco da Paraíba anotado por Mário de Andrade)

Tamanquero quero um pá, quero um pá, quero um pá
Eu quero um pá de tamanco pr’eu calçá
Mas habitava Adão nesse jardim
Ai que Jesus pra ele tinha plantado
Ai mas um dia se viu triste isolado
Foi se queixar a Jesus dizendo assim:
A beleza que fizeste para mim
Ai não me dá prazer nem alegria
Jesus Cristo perguntou o que queria
Ele disse: Senhor o meu desejo
Ah é ver outro igual a mim porque não vejo
Um outro ser que me faça companhia
Ah é ver outro igual a mim porque não vejo
Um outro ser que me faça companhia

Tamanquero quero um pá, quero um pá, quero um pá
Eu quero um pá de tamanco pr’eu calçá


“Um show para ouvir
com a imaginação”


Tamanquero é interpretada pela banda Axial, que conta com a vocalista e tecladista Sandra Ximenez, o contrabaixista e arranjador, Felipe Julián e saxofonista e clarinetista, Leonardo Muniz Corrêa. Eles apresentam um repertório popular tradicional com elementos da música eletrônica e eletroacústica, inserindo literatura e muita tecnologia.
O resultado são canções de alta qualidade e extremamente agradáveis, que invadem os limites entre as linguagens da literatura e música, além de resgatarem antigos idiomas.
As canções Oriki de Oxum e Oriki de Iemanjá são composições da própria vocalista que usou letras em nagô-iorubá, adaptadas por Antônio Risério. Ela também compôs a letra de Sono Bom, que é a última faixa do CD. Papaloko e Papadambalah, são duas emocionantes cantigas de negros escravos dos Haiti. A forte influência dos cultos afro-brasileiros também aparece nas músicas, Vo Guerê Iemanjá, que faz parte da tradição do tambor-de-mina, Torre das Mercês e Ana na Cacimba, que vêm da casa Fanti-Ashanti, no Maranhão.
Tamanquero, uma das minhas preferidas, é um coco paraibano recolhido por Mário de Andrade durante suas viagens etnomusicais.
“Com a premissa de fazer música contemporânea, o primeiro CD do Axial perseguiu o conceito de eixo. Fomos encontrando novos ambientes e uma compreensão urbana para canções muito antigas da tradição brasileira como pontos do Candomblé em idiomas africanos, reisado de Alagoas, e as caixeiras do divino do Maranhão. Também nos identificamos com a presença negra no Haiti, que gerou cantigas numa língua crioula de extrema beleza. Percorrendo verticalmente esse eixo, chegamos à literatura de João Guimarães Rosa e dos orikis, forma poética iorubá, que sonorizamos e musicamos. Com essa inspiração e usando nossas ferramentas - instrumentos, sons diversos, voz, ruídos, computadores - começamos a compor e escrever completando o conjunto deste repertório" diz Sandra, que também faz parte do grupo "A Barca".

Vale a pena conferir o projeto criativo, experimentalista e único do Axial, que recentemente fez uma apresentação em Berlin. Os integrantes Felipe e Sandra também realizam oficinas e curso em audiocenografia - produção musical e voz - repertório, respectivamente. No site dá pra baixar o CD virtual da banda e conferir entrevistas com os integrantes que já estão preparando o próximo CD.
http://www.axialvirtual.com/
Axial – CD indepentende, 2004
Faixas:
1 – PAPALOKO
2 – TAMANQUERO
3 – ORIKI DE OXUM
4 – PAPADANMBALAH
5 – ESPAÇO VAZIO
6 – TORRE DAS MERCÊS
7 – BURITI
8 – ANA NA CACIMBA
9 – VÔ GUERÊ IEMANJÁ
10 – ORIKI DE IEMANJÁ
11 – IEMONJÁ
12 - CANTIGAS D’ÁGUA
13 – SONO BOM
http://www.axialvirtual.com/AXIAL_papaloko1.mp3 clique aqui para terminar de ler
"PAPALOKO"
(domínio público, canção de escravos do Haiti)
Papaloko ou sé van
Pousé-n alé
Nou sé papiyon
Na pote nouvèl bay agoué

E tou sa ki di biyin
Jé-m layé
E tou sa ki di mal o-o
Jé-m layé

Papaloko ou sé van éy
Pousé-n alé
Nou sé papiyon
Na poté nouvèl bay agoué

Paròl Papaloko, paròl ampil-o
Pousé-n alé
Nou sé papiyon
Na poté nouvèl bay agoué.

Tuesday, July 11, 2006


O que é felicidade?
Se deixar seduzir por horas e horas com o reflexo do sol na linda vista do mar azul?
Ter prazer ao correr pela rua sem destino, apenas sentindo o vento no rosto?
Sorrir ao ajudar um desconhecido a atravessar a rua?
Chorar de emoção no nascimento de uma criança?
Observar com atenção os movimentos de um pássaro?
Sentir-se protegida com um abraço extremamente carinhoso?
Excitar-se com belas palavras?


É incrível pensar que qualquer coisa, qualquer pequeno detalhe é um prazer em potencial.
E foi isso que eu descobri anos atrás quando minha única preocupação era aproveitar meu presente. Cecília Meireles já dizia da importância disso em “A arte de ser feliz” e Clarice Lispector confirmava em “Mas há a vida”.
Foi nesse momento de conscientização que me tornei escrava do prazer e almejei ser uma mulher muito mais feliz, plenamente feliz, na tristesa e na alegria. Não parei mais de a procurar, onde ela estivesse.
Procurei, procurei procurei e... não me senti satisfeita pois eu queria ter alegria plena e não momentania. E foram em algumas poucas palavras, há minutos atrás, que achei minha insatisfação. Estava tão preocupada em ser feliz que não me dei conta que isso me tornava extremamente infeliz, lembrei-me também da frase do Guimarães Rosa "Felicidade se acha é em horinhas de descuido" que me encantou completamente quando ouvi pela primeira vez na voz de Bethânia.


"Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim".

A arte de ser feliz - Cecília Meireles


"Mas há a vida
que é para ser intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata".

Mas há vida - Clarice Lispector



Agora eu acho que já encontrei minha reza:
“Não é preciso buscar felicidade, preciso é achar felicidade em tudo”.

Monday, July 10, 2006


Mais um blog, mais um desabafo, mais uma crítica, mais um passatempo.



Cora Coralina escreveu em "Não Sei":

"Não sei se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar"


A foto é de Jacques Faing, da sua exposição “Giracorpogira”, ele faz uma brilhante releitura do carnaval, suavizando os movimentos das baianas e porta-bandeiras. O contraste da leveza com a turbulenta festa e a luminosidade e o brilho das saias ficaram tão perfeitos na imagem que parecem até pinturas. É um fotógrafo que admiro muito. www.jaquesfaing.com.br