
(...) A fragilidade é bela porque a fragilidade é um sinal da existência.
A beleza é a harmonia do acaso e do bem.
A beleza seduz a carne para obter permissão de passar à alma.
O belo é um atrativo carnal que mantêm à distânca e implica uma renúncia. Inclusive a renúncia mais íntima, a da imaginação. Queremos devorar todos os outros objetos de desejo. O belo é o que desejamos sem querer devorá-lo. Desejamos que seja assim.
A distância é a alma do belo.
O olhar e a espera, eis a atitude que corresponde ao belo. Enquanto podemos conceber, querer, desejar, o belo não surge. Por isso, em toda beleza há contradição, amargura, ausência irredutíveis.
Beleza: um fruto que olhamos sem estender a mão. (...)
* Simone Weil - A Gravidade e a Graça. *

