Monday, August 22, 2011


"Realmente, se um dia de facto se descobrisse uma fórmula para todos os nossos desejos e caprichos - isto é, uma explicação do que é que eles dependem, por que leis se regem, como se desenvolvem, a que é que eles ambicionam num caso e noutro e por aí fora, isto é uma fórmula matemática exacta - então, muito provavelmente, o homem deixaria imediatamente de sentir desejo.
Pois quem aceitaria escolher por regras? Além disso, o ser humano seria imediatamente transformado numa peça de um orgão ou algo do género; o que é um homem sem desejos, sem liberdade de desejo e de escolha, senão uma peça num orgão?"

Fiodor Dostoievski, em "Cadernos do Subterrâneo"


"
Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é."

Jean-Paul Sartre, em 'O Ser e o Nada'

Wednesday, May 26, 2010





"A volúpia carnal é uma experiência dos sentidos, análoga ao simples olhar ou à simples sensação com que um belo fruto enche a língua. É uma grande experiência sem fim que nos é dada; um conhecimento do mundo, a plenitude e o esplendor de todo o saber. O mal não é que nós a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experiência, malbaratando-a, fazendo dela um mero estímulo para os momentos cansados da sua existência."

* Excesso de Volúpia - Rainer Maria Rilke *

Wednesday, May 19, 2010









Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Clarice Lispector

Wednesday, January 02, 2008






(...) A fragilidade é bela porque a fragilidade é um sinal da existência.

A beleza é a harmonia do acaso e do bem.

A beleza seduz a carne para obter permissão de passar à alma.

O belo é um atrativo carnal que mantêm à distânca e implica uma renúncia. Inclusive a renúncia mais íntima, a da imaginação. Queremos devorar todos os outros objetos de desejo. O belo é o que desejamos sem querer devorá-lo. Desejamos que seja assim.

A distância é a alma do belo.

O olhar e a espera, eis a atitude que corresponde ao belo. Enquanto podemos conceber, querer, desejar, o belo não surge. Por isso, em toda beleza há contradição, amargura, ausência irredutíveis.

Beleza: um fruto que olhamos sem estender a mão. (...)

* Simone Weil - A Gravidade e a Graça. *

Wednesday, September 13, 2006

foto: Marguerite Duras.

"Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Porque é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer."

Sigmund Freud, em 'As Palavras de Freud'


"E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros? É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes... um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honoráveis sentimentos... não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror? Não é uma caricatura? E não somos todos mais ou menos sonhadores?"

Fiodor Dostoievski, em 'Escritos Ocasionais'.



- 3 em 1.

Thursday, August 10, 2006



"Navigare necesse; vivere non est necesse"

Saturday, July 29, 2006






tic
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tc
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c
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ti
tac

Estou bem cansada e acabo de completar 36 horinhas acordada, então não vou me extender hoje não, ando numa correria que nem o tempo dá mais conta.

Acabei de voltar do show do Wandula (foto) na FunHouse, ainda não entendi porque justo lá, de sexta e porque não foi divulgado, nem no site, nem flyer, nem em lugar algum.
Quem conhece tem bom gosto, quem não conhece vá no site!!! Pelo menos fará algo que o "maravilhoso" povo rocker não fez hoje, fica claro como são medíocres, não conhecem coisa boa e nem estão dispostos a conhecer, ao menos que seja parecido com Franz Ferdinand.
O que é uma pena, tanto pra banda, quanto pra eles e principalmente pra quem foi apenas ver o show, que foi curto e de certa forma mal recebido, isso acaba com a empolgação de qualquer banda ou fã. "Toca rock, porra!" ridículo isso, muito broxante mesmo.
Mas de qualquer forma, gostei bastante do que ví, a voz da Edith ao vivo é tão gostosa quanto no cd, e eles tocam muito bem. Fiquei encantada, estava esperando vê-los há um bom tempo já. Tocaram tanta coisa gostosa, "Sad Days", que eu gosto bastante e a versão de "Por que te vas" . Só senti falta de "L'homme aux tachês de Rousseur" e "Love Tears", até me atrevi a perguntar se iriam tocar. é o sono, é o sono....

http://www.wandula.com/